Alimentação da criança que só come o que gosta

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Dra. Denise Mendonca Coelho
Por
Mirella Pasqualin, Nutricionista

Rejeitar alimentos faz parte de uma das dificuldades alimentares identificadas nas chamadas crianças “comedoras seletivas”. A ciência ainda não chegou a uma definição exata para alimentação seletiva, já que são diversos os comportamentos que podem estar relacionados, mas alguns dos mais marcantes envolvem justamente a rejeição de alguns alimentos. Esses alimentos podem ser já conhecidos pelas crianças ou podem ser novos, aos quais a criança nunca tenha sido apresentada1,2.

É importante ter em mente que é comum que as crianças rejeitem alimentos até certo ponto, e esse comportamento seletivo pode fazer parte de seu desenvolvimento normal1,3. Apesar de os números variarem bastante, estudos mostram que a alimentação seletiva pode atingir até 50% das crianças em idade pré-escolar (2 a 6 anos de idade), número que cai para menos de 30% em anos mais avançados na infância4.

Porém, existem alguns sinais de alerta que podem indicar se realmente há alguma dificuldade alimentar importante. Os principais deles são evitar qualquer refeição, comer apenas os alimentos preferidos e nada mais, preferir bebidas a alimentos sólidos e aceitar determinados alimentos apenas quando estão camuflados. Outro ponto importante a se observar é o tempo de duração desse comportamento, sendo normal que a rejeição de alimentos seja transitória, temporária, podendo se perdurar até o fim da idade pré-escolar1,5.

A principal consequência dessa dificuldade alimentar é que as crianças acabam apresentando uma dieta muito menos variada e, consequentemente, de menor qualidade. Os alimentos mais frequentemente rejeitados são frutas, vegetais e alimentos fonte de proteínas, como carnes e peixes, o que pode prejudicar o consumo adequado não somente das proteínas em si, mas de vitaminas, minerais e compostos bioativos que estão naturalmente presentes nesses grupos de alimentos. As crianças que rejeitam alimentos de forma persistente também parecem ter mais chance de apresentar problemas globais de desenvolvimento em idades mais avançadas (por volta dos sete anos)5.

Uma das mais consistentes recomendações para lidar com a rejeição de alimentos é oferecer novamente os alimentos que foram recusados, em diferentes ocasiões, totalizando de oito a dez vezes, principalmente no caso de ser um alimento novo, justamente porque a recusa é natural até certo ponto. Novas ocasiões de oferta ajudam a identificar se aquele é um alimento que a criança não aprecia, de fato, ou se estava passando pelas oscilações de aceitação e mudanças no paladar, que são normais na infância3,6,7,8.

Porém, além de oferecer novamente, é importante tentar novas formas de preparo e apresentação, abusando da criatividade, novas maneiras de temperar e novas combinações, procurando aumentar o leque de possibilidades. Para ser atraente para a criança, o prato precisa ser montado com cuidado, apresentar cores, sabores e texturas diversas1,3,6.

Referências bibliográficas

Dicas práticas:
para crianças que comem só o que gostam

Ofereça alimentos preparados de diferentes formas

Você sabia que é preciso experimentar um alimento ao menos 10 vezes para definir se gosta dele ou não? Portanto, é preciso ser persistente e criativo para oferecer os alimentos às crianças diversas vezes e também testar formas diferentes de preparo, que podem ajudar a “conquistá-las”.

Aproveite os benefícios de legumes e verduras

Eles são muito versáteis e podem ser preparados e oferecidos às crianças de diversas formas. Além disso, muitos legumes, ao serem cozidos, passam parte dos seus nutrientes para a água, que pode ser utilizada para cozinhar outros alimentos, dando-lhes mais cor, sabor e nutrientes.

Planeje os horários das refeições dos pequenos

O consumo de alimentos em horário impróprio pode impactar no apetite das crianças. Tente respeitar horários para todas as refeições, pois isso favorece o controle das sensações de fome e saciedade dos pequenos.

Incentive as crianças a experimentarem novos alimentos

O exemplo da família e dos educadores é essencial para as crianças entenderem que comer de tudo é um hábito saudável e divertido. Mostre que experimentar novos alimentos é importante e pode ser divertido e surpreendente!

Não proíba a criança de comer seu alimento favorito

Proibir pode ser um jeito de restringir ainda mais a alimentação dos pequenos. Por isso, é interessante que eles tenham liberdade para comer também seu alimento favorito. Deixe tudo ser o mais natural possível, como por exemplo a pipoca no cinema, a balinha no teatro ou o sorvete no shopping.

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